Crianças e redes sociais: existe uma idade certa?

A difusão de smartphones e tablets no cotidiano vem possibilitando que crianças tenham um acesso cada vez mais precoce aos conteúdos da internet. Seja para assistir séries educativas ou para jogar, essas ferramentas captam a atenção dos jovens e despertam o interesse para os mais variados conteúdos, inclusive para as redes sociais.

Mas, diferentemente de outras distrações, será que a combinação entre crianças e redes sociais é saudável? Quando se trata de proteger os pequenos das surpresas (nem sempre agradáveis) da web, toda preocupação é válida, principalmente se pensarmos na exposição de crianças por meio dos perfis online.

Será que existe idade certa para elas participarem de redes sociais? Quais as recomendações e perigos que isso envolve? Neste post, discutiremos essas e outras questões relacionadas ao assunto. Vamos começar?

Crianças e redes sociais

Com o alastramento da cibercultura, o interesse em participar de redes sociais começa cada vez mais cedo nas crianças. Ao observarem pais, tios ou mesmo os colegas de escola, as crianças também querem possuir seus próprios perfis, postar fotos e interagir com amigos por meio de comentários e grupos.

O uso das redes sociais, assim como das novas tecnologias, não é essencialmente negativo. De fato, existem diversos efeitos benéficos que devem ser ponderados — como o acesso a novos conhecimentos, principalmente se tratando de crianças que são nativas digitais. Entretanto, esse uso deve estar associado a um acompanhamento dos pais e ao cuidado com o acesso desmedido.

A idade certa

Oficialmente, a idade é determinada pelo Ato de Proteção de Privacidade de Crianças Online (Coppa), que vale para redes como Instagram, Snapchat ou Twitter, assim como para contas de e-mail — o Facebook, por sinal, conta com um formulário de denúncia para perfis de crianças que possam estar abaixo dos 13 anos.

O Coppa aconselha a faixa etária devido ao entendimento do que é “criança”, levando em conta a idade para a compreensão dos riscos da exposição e também das regras e limites sociais da sociedade como um todo.

Entretanto, como a data de nascimento não é comprovada, muitas crianças mentem a respeito da idade. Segundo o Consumer Reports, são mais de sete milhões de crianças abaixo de 13 anos com perfis no Facebook. Sendo assim, o ideal é que os pais definam a idade de acordo com a maturidade dos filhos para compreender determinadas situações e regras.

Promovendo o uso seguro

Por ser um espaço público, a atenção ao uso das redes sociais pelas crianças, sejam maiores ou menores de 13 anos, deve ser igual às preocupações do mundo real. No meio digital, problemas como bullying, pedofilia ou a exposição a conteúdos inapropriados, como pornografia indesejada, também existem e podem ser até exacerbados no ambiente virtual.

O Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC) divulgou em 2016 uma pesquisa com crianças e adolescentes de 9 a 17 anos que revelou sobre dados sobre o uso das redes sociais. Entrevistados sobre ciberbullying, 15% informaram ter sido ofendidos por alguém na internet.

Parte da crianças também estavam se expondo em perfis públicos. De 9 a 10 anos, 39% delas não restringiam a privacidade, enquanto dos 11 aos 12 o número era de 42%. Uma superexposição de crianças não é positiva, visto que dá margem ao assédio, permite o conhecimento de dados íntimos e também pode impactar no desenvolvimento infantil.

Portanto, para evitar situações perigosas, o monitoramento dos pais é extremamente importante, verificando com quais pessoas a criança conversa, que tipos de grupos participa, quais conteúdos acessa e quais são suas publicações.

Além disso, o tempo dedicado às redes também é importante. Isso porque o uso desmedido pode afetar a autoestima da criança, refletindo negativamente em sua visão sobre si mesma e provocando até quadros de ansiedade e depressão. É tarefa dos pais impedirem que a criança se torne um heavy user das redes, definindo horários para o uso.

Hoje, a relação entre crianças e redes sociais é quase inevitável. Mais eficiente do que proibir, portanto, é dialogar e indicar uma forma saudável de participar das redes. Você já passou por situações desse tipo ou está se preparando para elas? Compartilhe suas experiências e opiniões conosco aqui nos comentários!

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